Dorme-se cada vez menos na sociedade moderna, e o preço pago é biológico. O sono não é apenas um período de "desligamento", mas sim um estado metabólico ativo essencial para a manutenção da saúde cognitiva a longo prazo.

O Sistema Glinfático: A Faxina do Cérebro

Uma das descobertas mais revolucionárias da neurociência recente foi o Sistema Glinfático. Durante o sono profundo, as células do cérebro "encolhem" ligeiramente, permitindo que o fluido cefalorraquidiano flua entre elas e limpe os subprodutos tóxicos acumulados durante o dia, incluindo a proteína beta-amiloide, associada à doença de Alzheimer.

Privação de Sono e Risco de Demência

Estudos longitudinais mostram uma correlação clara: indivíduos que dormem cronicamente menos de 6 horas têm um risco significativamente aumentado de desenvolver demências. Sem o "ciclo de limpeza" adequado, as proteínas tóxicas se acumulam, inflamando o tecido neural e acelerando o declínio cognitivo.

Higiene do Sono Baseada em Evidência

  • Regularidade Circadiana: Exposição à luz solar pela manhã para regular a produção noturna de melatonina.
  • Temperatura: O corpo precisa resfriar cerca de 1°C para iniciar o sono profundo; ambientes frescos favorecem esse processo.
  • Desconexão Digital: A luz azul das telas inibe diretamente a secreção de melatonina, atrasando a fase do sono.

Recuperar a qualidade do sono é uma das intervenções mais poderosas que podemos fazer pela nossa longevidade.

Referências Principais:
1. Xie, L., et al. (2013). Sleep drives metabolite clearance from the adult brain. Science.
2. Walker, M. P. (2017). Why We Sleep: Unlocking the Power of Sleep and Dreams.
Dra. Lisandra Veríssimo

Escrito por Dra. Lisandra Veríssimo

Psiquiatra especialista em Longevidade e Saúde Mental Integral. CRM: 17701-DF

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